Até que algum leitor me prove o contrário, o Botafogo e São Paulo deste domingo foi o maior e melhor jogo disputado no Engenhão desde a sua inaguração.
O vibrante 3x2 sacramentou (finalmente, diga-se) o solo gramado do estádio que tem a infelicidade de concorrer com o mais emblemático do mundo.
Estar ao lado do Maracanã não é fichinha.
Concorrer com o palco da maior tragédia brasileira, o Maracanazo de 1950, é a tragédia do belo e oneroso Estádio Olímpico João Havelange, vulgo Engenhão. Que será o único palco carioca quando se iniciar a reforma do Maraca (a enésima!), visando a honra de sediar a finalíssima da segunda Copa brasileira.
Oportunidade de vingar o gol do uruguaio Ghiggia, quem sabe até contra a própria seleção celeste por que não?
Mas voltemos ao Botafogo e São Paulo, que viu duas viradas, a primeira tricolor e a segunda e definitiva alvinegra. Que teve cinco gols, quatro jogadores expulsos e deixou até mesmo torcedores de outros times de pé nos minutos finais.
Se o leitor me permite a comparação, o filósofo espanhol Ortega y Gasset disse que todo homem é o homem e suas circunstâncias e eu digo que toda partida de futebol é uma partida de futebol e suas circunstâncias e que circunstâncias!
Uma partida que podia aproximar o São Paulo do título do Brasileirão mais equilibrado da história. Uma partida que poderia representar um importante passo em direção ao quarto título consecutivo tricolor.
Mas que, após a vitória botafoguense, mantém o time da estrela solitária com a cabeça acima do nível da degola, brecando, ainda que por mais uma rodada, a impressionante reação fluminense.
Viva a entrada do Engenhão na memória futebolística brasileira!










